Novo teto do MCMV pode destravar expansão do programa em Curitiba

As novas regras do Minha Casa, Minha Vida (MCMV), aprovadas na última semana pelo Conselho Curador do FGTS, podem abrir espaço para uma nova fase do mercado imobiliário de Curitiba. Com a ampliação do teto dos imóveis para até R$ 600 mil e o aumento da renda familiar para até R$ 13 mil, o programa passa a alcançar um público mais amplo, incluindo parte da classe média que antes ficava fora das condições mais vantajosas de financiamento.

Na prática, a mudança aproxima o MCMV da realidade de cidades com altos valores do metro quadrado, como Curitiba que, com valorização de 15% no ano passado, alcançou preço médio de R$ 9.148, segundo levantamento da Loft. Para o CEO da JBA Imóveis e vice-presidente de Desenvolvimento Urbano do Secovi-PRIlso Gonçalves, o novo limite dialoga diretamente com o perfil atual do mercado imobiliário da capital. “O valor médio de imóveis usados vendidos em Curitiba em 2025 ficou na faixa de R$ 477 mil. Com o novo teto, o programa deve avançar no mercado local de usados, mas também no de imóveis novos, como em outros grandes centros urbanos”, afirma.

De acordo com balanço da Ademi-PR (Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná), apesar do MCMV representar cerca de 50% das vendas de imóveis novos no Brasil em 2025, em Curitiba, respondeu por apenas 5% dos lançamentos. Não houve aumento significativo de obras também em função dos juros, que são consideravelmente mais altos para a última faixa do programa, o que impacta tanto o comprador quanto o custo das construtoras. O novo teto pode destravar a expansão do programa por aqui, não apenas para a faixa 4, mas também para a 3”, diz.

Com a ampliação dos limites do programa, a expectativa é de maior diversificação dos lançamentos em Curitiba, tanto em localização quanto em perfil dos imóveis. Regiões como Santa Cândida, Abranches e Barreirinha, no eixo norte, além de bairros da região sul, como Pinheirinho, Tatuquara e Umbará, podem ganhar novos projetos, especialmente na Faixa 3, que teve o teto ampliado para R$ 400 mil.

A tendência também é de evolução no padrão dos empreendimentos. “Alguns itens que não impactam tanto o custo podem ser incorporados, como mais áreas de lazer, segurança e facilidades nos condomínios”, afirma Gonçalves. Ele ressalta que, atualmente, o MCMV em Curitiba já contempla desde apartamentos em prédios menores até condomínios-clube e sobrados, tipologias que ganharam força com as ampliações recentes do programa.